Desmemórias


Surtomania ( Rodrigo de Souza Leão )


1
pânico
no circo
alado
das têmporas

endorfinas
macaqueando
a goiabada
pineal

volts
em volta
eletrodos
todos

de branco
culpados
culpas
pecados

haldol
no leite
ralo
do tempo

clitóris
de plástico
na sopa
de adrenalina

2

nodoas
nuas
cristalizadas
na nuca
nunca
injete
tudo

3

camisa
sem mãos
sem mangas
nos olhos
apenas
antolhos

na janela
áurea
de peristilos

punção
de morte
fode

4

peixes
fisgando
anzóis
comicham
no corpo
baleias
de chupeta

5

na veia
sossegada
o leão
caminha
inválido
de juba
cortada
cuspindo
vida
curta
em curto
circuito
fechado
faixas
vendas
ferem
as paredes
sem degraus
as pilastras
sem grade
degrade
degradado
de sol
de lua
chuva
desbotada
eletrochoque natural

enguias
guiam
os volts

na cabeça
dos
cegos
de
si



Escrito por diniz gonçalves júnior às 16h29
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Luto na nova literatura brasileira. Morreu o escritor e poeta Rodrigo de Souza Leão.

 Lembro que  enviei meus poemas para a Revista Zunái em 2006 e o Rodrigo respondeu que tinha gostado e que seriam publicados , as poucas vezes que conversei com o Rodrigo  por e-mail mostraram uma pessoa culta e elegante



Escrito por diniz gonçalves júnior às 10h01
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 11h04
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 09h28
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 10h35
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 10h34
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resenha do meu livro decalques no jornal portogente

http://www.portogente.com.br/texto.php?cod=23179



Escrito por diniz gonçalves júnior às 00h11
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na vila mariana o ponto lotado , a fuligem dos ônibus alquebrados pelo excesso de expediente , paredes riscadas com estranhas assinaturas , o sol tímido não aquece direito , paisagens repetem a rotina de sempre , camelôs lotados de gorros e meias anunciam a vinda do inverno



Escrito por diniz gonçalves júnior às 18h13
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 16h01
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 13h38
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 11h46
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 16h59
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planeta e os corredores , as portas e o vidro que descortina o mar , as escadas simétricas desembocando no hall de entrada , o número 154 indicando  , o surf dog e as vitaminas servidas no café da manhã e o prédio lotado de janelas serpentinas lançadas em fevereiro , os passeios de camiseta regata sol a pino higienizando os pensamentos , os telefones dispostos em cabines margeando a areia e a escotilha do cinema de arte que parece um submarino fincado no calçadão , posto 5 ou 6 , não sei o nome da menina de maiô de cavalo - marinho , e as algas que inundaram os pés de anilina ,   barulhos invadem o parque abandonado e a retina encharcada anuncia a partida .



Escrito por diniz gonçalves júnior às 22h10
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os jardins de santos

Santos sempre foi o espaço de liberdade , o caminho enviesado das calçadas , xadrez alongado , as marcas de rede de vôlei que permanecem por duas décadas submersas , o frango assado do eldorado , as massas no tom certo da geni , os dias gastos no dolce far niente , o cheiro de sal nas margens da tarde , a lenta passagem do calendário , a possibilidade da balsa na hora de ver outra paisagem , as meninas na porta da matinê do saldanha da gama ( um hiato no tempo ? ) , a loja do shopping que vendia walkmans , a concha acústica debruçada para o jardim , a estátua solene lotada no 31 de janeiro , a ilha onipresente e os barcos  com motores roucos  , também tinha as árabes bonitas do prédio de frente pro mar , os amigos george e espiga planejando as mil festas a visitar , a denise saindo do fliper indo para a pista de patinação , a silvinha no segundo andar do planeta escolhendo vestidos para o carnaval do sírio .



Escrito por diniz gonçalves júnior às 11h29
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quem habita as colunas frias de ferro

e concreto as mensagens desbotadas dos

muros os cartazes embaralhados do viaduto

a cidade oxida entorpece os sentidos

correr para lugar algum

tudo é repetição

cantilena , sussurros  

em alta frequência



Escrito por diniz gonçalves júnior às 00h09
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