Desmemórias




Escrito por diniz gonçalves júnior às 09h50
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Força , Marião !

Estou torcendo pela sua recuperação , vc é um amigo de fé



Escrito por diniz gonçalves júnior às 12h22
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Acapulco ou Paquetá

lugar para tecer noivado

invento de um tempo gravado

no álbum do Grande Hotel

entre traças

a caixinha de música

murmura

... Recuerdos de Ypacaraí



Acapulco or Paqueta

place to weave engagement

invention of a recorded time

on the album of Grande Hotel

among moths

the little music box

murmurs

… Recuerdos de Ipacarai

 

tradução de Vivan Puxian

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 18h30
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o sol tinge horizonte

na areia barracas invadem espaços

enquanto banhistas jogam futebol

ao longe uma fila de navios dobra os arrecifes

meninas vestidas de vento celebram a chegada da estação



The sun dyes the horizon

on the sand stalls invade spaces

while people play soccer

far, ships queued go around reefs

girls dressed in wind celebrate the change of the season

 

tradução de Vivian Puxian




 

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 18h27
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a cidade deserta

lírica, imprecisa

um menino atrás do seu sonho

seu outubro

fugindo da maquinaria incessante

de seus dias iguais



The desert city

lyrical, imprecise

a boy after his dream

his October

running away from the incessant machinery 

of his uniform days


tradução de Vivian Puxian






Escrito por diniz gonçalves júnior às 18h25
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a pele do hotel descasca

exposta à violência do sol

naufrágos dissolvem no sal

agarrados às  lembranças

embalsamadas do papel de parede

e da sombra do guarda -sol

retorno proibido não há salva -vidas

no convés do posto

a raia de areia ficou rala

a bola de vôlei não reflete

o parque   atlântico

afundou na retina gasta

contagem regressiva

as luzes , o barulho 

um arlequim incendiado

sufoca a possibilidade

de ar

 

 

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 23h35
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a caixa de asfalto no canto do quintal

meses repetem as velhas cantilenas

dias em progressão geométrica

tudo vaza : instantes , argumentos

o selo do sol

resta o movimento da retina

as ruas soletradas no caminho

as galerias sugerindo falsos labirintos

o azul da casa de esquina

o sono enjoado  das tardes de verão

os planos anotados na margem do caderno

 

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 16h54
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Sinfonia Paulistana

Billy Blanco

Composição: Billy Blanco

Fazendo som com as estrelas, ligado no sideral
Por Maria, fez poemas, nas praias do litoral
As ondas contaram ao mar, por isso é que os oceanos
No mundo inteiro cantados, cantarão mais cem mil anos
E o homem entre mar e céu, tem canções por todo lado
Louvado seja Anchieta, pra sempre seja louvado
Navegante tem cantiga, que aprendeu no mar um dia
Qualquer rota que ele siga, se não canta, ele assobia
Cabelos cor da noite, pele de alvorada
Cacique entregou ao branco, a filha amada
Raízes de Brasil, chegaram até aqui
Abençoado o colo dessa mãe antiga
Por 400 anos feitos de cantiga, naquele doce embalo
Da canção Tupi
Na tez de uma paulista em cheiro de floresta
A cor de jambo é a índia, que ninguém contesta
De uma altivez que o Império nunca vira
É a tradição, é a raça, é a nossa origem
As coisas da história de São Paulo exigem
A honra que se faça ao nome de Bartira, Bartira
Era tudo, era o nada rio acima
Que o paulista no peito ia vencer
Pra fazer mais Brasil do que existia
Já um tempo era pouco pra perder
Reunindo oração e despedida na partida da horda triunfal
Caçador da esmeralda perseguida
Foi fazendo a unidade nacional
Bandeiras, monções
Já se dava por glória ao que se ia
Porque mal se sabia se voltava
E a benção levada já servia
De unção para quem por lá ficava
Nas monções quem seguia, na verdade
Já partia cheirando à santidade
Quem não via esmeralda ou não morria
Povoava cidade mais cidade
Bandeiras, monções, São Paulo
Que amanheceu trabalhando
São Paulo, que não sabe adormecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer
São Paulo, todo frio quando amanhece
Correndo no seu tanto o que fazer
Na reza do paulista, trabalho é Padre-Nosso
É a prece de quem luta e quer vencer
Bastante italiano, sírio e japonês
Além do africano, índio e português
Tudo isso ao alho e óleo, temperando a raça
Na capital do tempo, tempo é ouro e hora
Quem vive de espera, é juros de mora
Não tem mais-mais nem menos, ou é sim ou não
No máximo se espera pela condução
Nas retas da Rio-São Paulo, chegando, chegando eu vim
Paulista é quem vem e fica plantando, família e chão
Fazendo a terra mais rica, dinheiro e calo na mão
Dinheiro, mola do mundo, que põe a gente na tona
Leva a gente ao fundo
Sim, senhor, sim, senhor, sim, senhor
Faz a paz e a guerra, traz a Lua pra Terra
No mais aumenta a barriga do comendador
Dinheiro, juras e juros, erguendo todos os muros
Pra ele próprio depois, derrubar, derrubar
É a voz que fala mais forte, razão de vida e de morte
Também só compra o que pode comprar
São Paulo, que amanhece trabalhando
Casais entram no elevador
O fino pra curtir um som: ran ran, ren ren, ron ron
A noite é sempre uma criança, é só não deixar crescer
Assim existe esperança, no amanhecer
São coisas da noite, anúncios conhecidos
Que enfeitam a cidade, em movimentos coloridos
Alguém vem do trabalho, do baralho ou do que for
Do La Licorne ao Ceasa, de alguma coisa do amor
Tem sempre mais um, que vem pela calçada
Na bruma que esconde quem sobrou na madrugada
Dei tempo ao tempo, o tempo é que não dá
Tenho que estar pelas sete, no Viaduto do Chá
Olha o Sol, olha o Sol, cadê o Sol? Onde o Sol?
Sumiu, sumiu, sumiu
Quando amanhece, o Sol comparece por obrigação
Nublado, cansado, um Sol de rotina
Se bem ilumina, nem dão atenção
É que o bandeirante não perde o seu tempo
Olhando pro alto, o Sol verdadeiro está no asfalto
Na terra, no homem e na produção
A cor diferente do céu de São Paulo não é da garoa
É véu de fumaça, que passa, que voa
Na guerra paulista das mil chaminés
São Paulo, que amanhece trabalhando
Começou um novo dia, já volta
Quem ia, o tempo é de chegar
Do metrô chego primeiro, se tempo é dinheiro
Melhor, vou faturar
Sempre ligeiro na rua, como quem sabe o que quer
Vai o paulista na sua, para o que der e vier
A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição
Porque tudo se repete, são sete
E às sete explode em multidão:
Portas de aço levantam, todos parecem correr
Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
Que o tempo não espera, a vida é derradeira
Quem é vai ser, já era de qualquer maneira
O mundo é do "eu quero"
Quem me der é triste, tristeza basta a guerra
E o adeus no amor
Você onde é que estava quando o tempo andou?
Na terra que não pára, só você parou
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
O que vale é a versão, pouco interessa o fato
Porque a sensação maior é a do boato
Em coisa de um segundo, noite é madrugada
Notícia ganha o mundo, e a gente não é nada
Você onde é que estava quando o tempo andou?
São Paulo nunca pára, mas você, parou
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora
São Paulo que amanhece trabalhando
Na Praça do Patriarca, rua Direita, São Bento
Na Líbero Badaró, no Viaduto do Chá
Lá está aquele moço, que não dá ponto sem nó
Na conversa bem jogada, vai vendendo geladeira
Pra esquimó curtir verão
Papo firme é isso aí, desse dono da calçada
Rei da comunicação
Olhe aqui, dona Teresa, o produto de beleza
Que chegou da Argentina, examina, examina
De brinde pra seu marido
Nova pomada pra calo que resolve a dor de ouvido
Tem Parker 73, compre uma e ganhe três
Nem paga o justo valor, mais outra ali pro doutor
Leve a lei do inquilinato, mesmo não sendo inquilino
Morar na lei é um barato, e ele prova à sua maneira
Que um ataque de besteira, faz de um doutor um otário
Cursando numa avenida o vestibular da vida
Para ser bom empresário
Ser do São Paulo, do Corinthians e Palmeiras
É ter o fino em futebol durante o ano
Em tênis, remo, natação, nas domingueiras
Bom é Pinheiros, Tietê ou Paulistano
Com Ademir, com Rivelino no gramado
Com rei Pelé e suas jogadas de veludo
Não pe de graça que São Paulo é chamado
Melhor da América Latina em quase tudo
Pró-esporte, pró-esporte é a solução
Pró-esporte, pró-esporte contra a poluição
Lá por setembro o estudante nos ensina
Aquele esporte pelo esporte que não cede
E o meu Mackenzie, dá um show com a medicina
Na grande guerra que se chama MacMed
No corre-corre mundial estamos nessa
Os Fittipaldi estão aí para dizer
Só em São Paulo que é a terra do depressa
A São Silvestre poderia acontecer
Pró-esporte, pró-esporte é a solução
Pró-esporte, pró-esporte contra a poluição
São Paulo jovem, dos que promovem velocidade
Nos seus cavalos, de roda e ferro, na sua forma de liberdade
O peito agarra, a costa de aço
Que deu garupa na Yamaha, no upa-upa
Feito de abraço e muito amor
São Paulo jovem, na mesma cela
Vão ele e ela, por onde seja
Deus os proteja, pelos caminhos da vida em flor
Tem coisas da Ipiranga, da Itapetininga, até da São João
Às vezes também dá
Puxar o show, o chope, o uísque, boa pinga
E o molho das mulheres que transam por lá
Tem loja, tem butique, tem pizzaria
Boate, restaurante, até casa lotérica
É rua que de nada mais precisaria
Com todo aquele charme do Jardim América
América, rua augusta
E agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Rua augusta, e agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Bartira e João Ramalho nunca imaginaram
Que a tanga e a miçanga vinham outra vez
Agora nos diriam vendo que acertaram:
Valeu o nosso amor, pelo amor de vocês
E a moça vai passando, e ninguém vê mais nada
Quando ela vai na dela, é pra machucar
É a paulistana boa, despreocupada
De short ou minissaia, pondo pra quebrar, pra quebrar
Rua augusta, e agora, já é hora
E ninguém vai embora, embora de lá
Na sinfonia, que é de todos os barulhos
De Santo Amaro, ao Brás, ao Centro, ao ABC
Por Santo André, Vila Maria até Guarulhos
Grande São Paulo, como eu gosto de você
São Paulo, que amanhece trabalhando
São Paulo que não pode amanhecer
Porque durante a noite, paulista vai pensando
Nas coisas que de dia vai fazer.



Escrito por diniz gonçalves júnior às 10h21
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ruas

 

tínhamos códigos comuns

mapas de amizade

risos abertos

festas e musas

viagens e cantos 

relicário de instantes

congelados na retina

 

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 23h26
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os objetos da casa minérios da memória o ano que não volta os risos e passos o barulho dos carros o jardim mínimo os porta- retratos guardar as palavras a alegria o movimento da rua o cheiro de hortelã o baú que não estava mais lá o espaço aventado o muro e a  cor amarela que imita o sol



Escrito por diniz gonçalves júnior às 19h52
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no quarto escuro as ruas empoeiradas os números ímpares os nomes esquecidos na velocidade dos dias as tralhas maltrapilhas de velhos verões amarelados bilhetes nunca lidos uma foto colorida do mirante da ilha porchat



Escrito por diniz gonçalves júnior às 18h03
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no caminho da ponte panoramas em nanquim e asfalto patchouli das morenas distraídas o bafo do mar quente e salino a madeira do barco lorelei à deriva no umbigo das ondas



Escrito por diniz gonçalves júnior às 10h14
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a paisagem me  escapa

só restam contornos na calçada 

tentativas de guardar a água

estudar os barulhos

do ventre do mar

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 23h45
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reter areia

que escoa

da ampulheta

de manhã no espelho

vincos novos , reflexos

nublados pelo hábito

de ver alguém íntimo

e desconhecido imagem

ou máscara para encarar

o fluxo dos dias , a rotina

do sol , as palavras ouvidas

no sussurro ofegante das ruas



Escrito por diniz gonçalves júnior às 21h38
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Minha entrevista para o programa perfil literário da rádio unesp ( arquivo número 137 )

 

 http://aci.reitoria.unesp.br/radio/perfil_literario/



Escrito por diniz gonçalves júnior às 13h47
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