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e nas ruas sinais marinhos geometria de afetos perdidos marcas desbotadas nas paredes talvez um rumo errado na rosa-dos-ventos um traço deslocado num caderno sem margens amareladas
Escrito por diniz gonçalves júnior às 23h15
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Recreio Das Meninas II
Composição: Moacyr Luz/Aldir Blanc
Eu fui de bengala, tossindo, com febre, lá no Renascença, porque em toda a vida o samba foi cura pra minha doença. Sentei no meu canto, uma voz perguntou: "O que qui vai querer?" Perdi a cabeça e falei pra menina: - Eu queria você...
Um riso de aurora acolheu meu ocaso e a pressão subiu. Peguei meu remédio mas as mãos tremiam e o vidro caiu. Chutei a caixinha, pedi caipirinha, pernil e café. Receita infalível pro meu coração é um corpo moreno de mulher.
Eu vou com ela ao Capela, ao Siri e traço moqueca, carré, javali... Digo sempre, bebendo com o Jorge: - Foi no Renascença que eu renasci.
Aos que me gozam no bar, dizendo que eu sou o Recreio das Meninas, respondo: - Andorinhas fazem ninho nas ruínas.
Escrito por diniz gonçalves júnior às 15h30
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Calendário Lunar
Composição: Silvana Stiévano e Klébi Nori
Passa leve no meu lábio a língua Enquanto lá fora a lua míngua Diz que tem alguém Tem com quem andar Diz que tem Diz que tem Sabe bem a hora de se recolher Não se corre o risco de perder E eu que tenho alguém Tenho com quem andar Digo ter Eu também Um calendário lunar Um calendário lunar
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 13h50
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Eden Ahbez
Nature Boy
There was a boy A very strange enchanted boy They say he wandered very far, very far Ovel land and sea A litte shy and sad fo eye But very wise was he
And then onde day A magic day he passed my way And while we spoke of many things Fools and kings This he said to me "The greatest things you'll ever learn Is just to love and be loved in return "
ps : Eden Ahbez foi um beatnik que escrevia poemas e músicas e pregava misticismo oriental nas ruas de Los Angeles
Escrito por diniz gonçalves júnior às 11h06
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Cinema Novo
Caetano Veloso
O filme quis dizer "Eu sou o samba"
A voz do morro rasgou a tela do cinema
E começaram a se configurar
Visões das coisas grandes e pequenas
Que nos formaram e estão a nos formar
Todas e muitas: Deus e o diabo, vidas secas, os fuzis
Os cafajestes, o padre e a moça, a grande feira, o desafio
Outras conversas, outras conversas sobre os jeitos do Brasil
Outras conversas sobre os jeitos do Brasil
A bossa nova passou na prova
Nos salvou na dimensão da eternidade
Porém aqui embaixo "A vida mera metade de nada"
Nem morria nem enfrentava o problema
Pedia soluções e explicações
E foi por isso que as imagens do país desse cinema
Entraram nas palavras das canções Entraram nas palavras das canções
Primeiro foram aquelas que explicavam
E a música parava pra pensar Mas era tão bonito que parece
Que a gente nem queria reclamar
Depois foram as imagens que assombravam
E outras palavras já queriam se cantar
De ordem e desordem de loucura
De alma a meia-noite e de indústria
E a Terra entrou em transe
E no sertão de Ipanema
Em transe é, no mar de monte santo
E a luz do nosso canto e as vozes do poema
Necessitaram transformar-se tanto
Que o samba quis dizer
O samba quis dizer: eu sou cinema
O samba quis dizer: eu sou cinema
Aí o anjo nasceu, veio o bandido meterorango Hitler terceiro mundo, sem essa aranha, fome de amor
E o filme disse: Eu quero ser poema
Ou mais: Quero ser filme e filme-filme
Acossado no limite da garganta do diabo
Voltar a Atlântida e ultrapassar o eclipse
Matar o ovo e ver a vera cruz
E o samba agora diz: Eu sou a luz
Da lira do delírio, da alforria de Xica
De toda a nudez de índia
De flor de macabéia, de asa branca
Meu nome é Stelinha é Inocência Meu nome é Orson Antonio Vieira conselheiro de pixote O Superoutro
Quero ser velho de novo eterno, quero ser novo de novo
Quero ser Ganga bruta e clara gema Eu sou o samba viva o cinema
Escrito por diniz gonçalves júnior às 16h24
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'S Wonderful
Composição: George & Ira Gershwin
Wonderful, marvelous You should care for me! Awfully nice, it's paradise, How I long to be. You make my life so glamorous, You can't blame me for feeling amorous! Wonderful, marvelous, That you should care for me!
Escrito por diniz gonçalves júnior às 14h21
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Clever Boy Samba ( Caetano Veloso )
Pela Rua Chile eu desço/ Sou belo rapaz / Cabelo na testa fecha muito mais / Vou fazer meu ponto / Ali no Adamastor / Mesmo subdesenvolvida / eu vou fazer a doce vida / As brigittes vão passando / E eu Belmondo / Sigo na lambreta e os brotos / Vão ficando pra trás / Sem silencioso fecha muito mais / No Farol da Barra / Em falta de Copacabana / Vou queimar a pele / No fim de semana / Entro no cinema / E o filme é com Delon / Aprendo o sorriso / Mas nem sei se o filme é bom / " Come to me my melancholy " / Samba agora é assim / Se não é bossa nova / não está pra mim / Pra mim , João Gilberto / E Orlann Divo é uma coisa só / De tarde a semana inteira / Dou meu show de capoeira / Na piscina Do Yacht, se faz sol / O Nelson Gonçalves / Sei que já ficou pra trás / Ser desafinado fecha muito mais / Adoro Ray Charles / Ou " Stella by Starlight " / Mas o meu inglês / Não sai do " good night "
Escrito por diniz gonçalves júnior às 10h24
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Curso “Caetano Veloso, poeta” Dias 5, 12, 19, 26 de março e 2, 9, 16, 26, 30 de abril de 2008. Inscrições na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura Av. Paulista, 37 - Bela Vista - São Paulo Fone: 11 3285-6986/ 3288-9447 Funcionamento: Aberta de terça a domingo, das 11h às 21h.
Escrito por diniz gonçalves júnior às 08h52
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Pecado Original Composição: Caetano Veloso
Todo dia, toda noite Toda hora, toda madrugada Momento e manhã Todo mundo, todos os segundos do minuto Vivem a eternidade da maçã Tempo da serpente nossa irmã Sonho de ter uma vida sã
Quando a gente volta O rosto para o céu E diz olhos nos olhos da imensidão: Eu não sou cachorro não! A gente não sabe o lugar certo De colocar o desejo
Todo beijo, todo medo Todo corpo em movimento Está cheio de inferno e céu Todo santo, todo canto Todo pranto, todo manto Está cheio de inferno e céu O que fazer com o que DEUS nos deu? O que foi que nos aconteceu?
Quando a gente volta O rosto para o céu E diz olhos nos olhos da imensidão: Eu não sou cachorro não! A gente não sabe o lugar certo De colocar o desejo
Todo homem, todo lobisomem Sabe a imensidão da fome Que tem de viver Todo homem sabe que essa fome É mesmo grande Até maior que o medo de morrer Mas a gente nunca sabe mesmo Que que quer uma mulher
Escrito por diniz gonçalves júnior às 07h59
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Réquiem pra Mãe Menininha do Gantois
Gilberto Gil
Foi Minha mãe se foi Minha mãe se foi Sem deixar de ser - ora, iêiê, ô
Dói Minha alma ainda dói Minha alma ainda dói Sem deixar doer - ora, iêiê, ô
Foi Tão boa pra nós Tão boa pra nós Não deixa de ser - ora, iêiê, ô
Mãe Do orum, do céu Do orum, do céu Me ajuda a viver neste ilê aiê
Rara Ouro Guarda o tesouro pra nós Riso Puro Porto Seguro pra nós Vemos Vivo O brilho da tua luz Iluminando nossos corações
Ouve nossa oração Escuta a demanda de cada um Manda teu doce axé Recomenda ao santo o teu candomblé Fala com cada um Fala com cada um Fala com cada filho fiel Canta pra todos nós Derrama sobre todos o teu mel
Foi Minha mãe se foi Minha mãe se foi Sem deixar de ser a Rainha do Trono Dourado de Oxum Sem deixar de ser Mãe de cada um Dos filhos pra quem eternamente sempre haverá Mãe Menininha Mãe Menininha Mãe Menininha Mãe Menininha
Mãe Menininha
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 10h20
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Vera gata Composição: Caetano Veloso Era uma gata exata Uma vera gata Das que não tem dúvida dúvida Éramos fogo puro O amor total Padrão futuro, éramos éramos Puro carinho e precisão Eficiência, técnica e paixão Clareza na expressão de cada sensação Autoprogramáveis como dois robôs Mais ninguém mais quente que nós te que nós E teve que ser rápida a transação Pois já nos chamava o ônibus ônibus Tivemos tudo, não faltou nada E ainda a madrugada nos saudou na estrada Que ficou toda dourada e azul
Escrito por diniz gonçalves júnior às 15h47
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Chuvas de Verão
Composição: Fernando Lobo
Podemos ser amigos simplesmen...te
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, do presente
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam como o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão
Trazer uma aflição dentro do peito.
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais
Podemos ser amigos simplesmente
Amigos, simplesmente, e nada mais.
Podemos ser amigos simplesmente
Amigos, simplesmente, nada mais
Escrito por diniz gonçalves júnior às 11h57
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Donizete Galvão : A Poesia ao Rés da Rua
A poesia que se instala ao rés da rua, na concretude do cotidiano Busca as "evidências pedestres". Poesia que fala do que é "finito e matéria". Trata do embate dos poetas com a cidade, sua arquitetura, os subúrbios, os resíduos, o ruído urbano, as ruínas. O curso abordará poemas de André Luiz Pinto, Fabio Weintraub, Paulo Ferraz, Ruy Proença, Sérgio Alcides e Tarso de Melo. O que acham, o que perdem, o que recusam nas suas andanças.
De 21 a 23 de janeiro, das 19 às 21h - curso
Leitura de poemas com a presença de André Luiz Pinto, Diniz Gonçalves Jr., Donizete Galvão, Fábio Weintraub, Paulo Ferraz, Ruy Proença, Sérgio Alcides e Tarso de Melo.
24 de janeiro, às 19h
Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Av. Henrique Achumann , 777
Pinheiros - São Paulo - SP
Escrito por diniz gonçalves júnior às 09h05
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Benefício Composição: Zé Renato - Hamilton Vaz Pereira Num certo dia bonito À beira do precipício Você vai lembrar que eu sou O seu príncipe Eu tenho o dom de mandar O vídeo de volta ao início O dom de agradar Não sou difícil Um benefício Num certo dia banal No abismo deste princípio Vou perceber que você é Minha cúmplice E lamenta ter de esquecer As marcas dos passaportes Não quero saber viver Abandonado A vida é mais que um vício delicado A vida é bem difícil Diante desse abismo Volto o vídeo ao início Minha namorada Melhor que carta marcada Um benefício
Escrito por diniz gonçalves júnior às 12h09
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Dante Milano
Ao tempo
Tempo, vais para trás ou para diante? O passado carrega a minha vida Para trás e eu de mim fiquei distante, Ou existir é uma contínua ida E eu me persigo nunca me alcançando? A hora da despedida é a da partida
A um tempo aproximando e distanciando... Sem saber de onde vens e aonde irás, Andando andando andando andando andando
Tempo, vais para diante ou para trás?
Escrito por diniz gonçalves júnior às 15h27
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