nodoas nuas cristalizadas na nuca nunca injete tudo
3
camisa sem mãos sem mangas nos olhos apenas antolhos
na janela áurea de peristilos
punção de morte fode
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peixes fisgando anzóis comicham no corpo baleias de chupeta
5
na veia sossegada o leão caminha inválido de juba cortada cuspindo vida curta em curto circuito fechado faixas vendas ferem as paredes sem degraus as pilastras sem grade degrade degradado de sol de lua chuva desbotada eletrochoque natural
Luto na nova literatura brasileira. Morreu o escritor e poeta Rodrigo de Souza Leão.
Lembro que enviei meus poemas para a Revista Zunái em 2006 e o Rodrigo respondeu que tinha gostado e que seriam publicados , as poucas vezes que conversei com o Rodrigo por e-mail mostraram uma pessoa culta e elegante
na vila mariana o ponto lotado , a fuligem dos ônibus alquebrados pelo excesso de expediente , paredes riscadas com estranhas assinaturas , o sol tímido não aquece direito , paisagens repetem a rotina de sempre , camelôs lotados de gorros e meias anunciam a vinda do inverno
planeta e os corredores , as portas e o vidro que descortina o mar , as escadas simétricas desembocando no hall de entrada , o número 154 indicando , o surf dog e as vitaminas servidas no café da manhã e o prédio lotado de janelas serpentinas lançadas em fevereiro , os passeios de camiseta regata sol a pino higienizando os pensamentos , os telefones dispostos em cabines margeando a areia e a escotilha do cinema de arte que parece um submarino fincado no calçadão , posto 5 ou 6 , não sei o nome da menina de maiô de cavalo - marinho , e as algas que inundaram os pés de anilina , barulhos invadem o parque abandonado e a retina encharcada anuncia a partida .
Santos sempre foi o espaço de liberdade , o caminho enviesado das calçadas , xadrez alongado , as marcas de rede de vôlei que permanecem por duas décadas submersas , o frango assado do eldorado , as massas no tom certo da geni , os dias gastos no dolce far niente , o cheiro de sal nas margens da tarde , a lenta passagem do calendário , a possibilidade da balsa na hora de ver outra paisagem , as meninas na porta da matinê do saldanha da gama ( um hiato no tempo ? ) , a loja do shopping que vendia walkmans , a concha acústica debruçada para o jardim , a estátua solene lotada no 31 de janeiro , a ilha onipresente e os barcos com motores roucos , também tinha as árabes bonitas do prédio de frente pro mar , os amigos george e espiga planejando as mil festas a visitar , a denise saindo do fliper indo para a pista de patinação , a silvinha no segundo andar do planeta escolhendo vestidos para o carnaval do sírio .