Desmemórias
  Museu de Pesca de Santos

 

Os vidros de areia hibernam nas prateleiras , praias próximas e distantes , brancas ou opacas , protegidas do tempo que faz lá fora , já foram castelos e esconderam conchas , arranharam os olhos nas brincadeiras de infância , refletiram navios nas noites claras , guardaram os passos apagados da memória .

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 10h12
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 22h26
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 21h33
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um tranco e

a multidão me distancia

perco de vista o outro sorriso

que julgava meu mas era engano

como esfinge a soletrar um jogo

de erros o reverso do esperado

se forte pareço caio frágil no tropeço

do espelho

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 17h42
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No largo 13

Na profusão de passantes
cores , cheiros , sotaques distantes
canções agrestes , chapéu de couro
camelôs fugindo do rapa
meninas de vestido de chita rodopiam
num balé estranho , as ruas perto da igreja
traçam rotas na alvenaria dos dias
no instante de um anúncio , promoção
paga dois leva três segredos
babel dissonante , sinfonia de vozes
ao sul de São Paulo

( diniz gonçalves júnior )


Escrito por diniz gonçalves júnior às 22h13
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   marcelo manzano - composição Daniel Silveira e Diniz Junior - Campo Mourão


Escrito por diniz gonçalves júnior às 19h41
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 11h44
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Retrato de Audrey

 

 

 

No estúdio o movimento do único  refletor , fantasias precárias ilhadas no quartinho do fundo , alguns cartazes escritos com canetas coloridas , era um filme B , apesar do  diretor que se imaginava  um novo Alain Resnais e seu filme uma continuação de   “ Hiroshima , Mon Amour “ . 

-  Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto . Sua gratidão me confortou .Partimos em silêncio .

Ele ensaiava essas  frases exaustivamente , o teor existencialista tinha que ser enfatizado , o ator já afônico lamentava o dia em que havia visto o anúncio de emprego : “ Procura-se protagonista para um filme  

 Por algum motivo que escapa da lógica , talvez influenciado pelos bailes de carnaval passados na Praia Grande ele cismou que haveria um baile de máscaras na última cena , dessa forma terminaria seu filme com chave de ouro .

“ Nevers , Nevers , Nevers  ....... “  ele teria que achar um jeito de encaixar  essas palavras  na boca de algum personagem , talvez o arlequim melancólico parecido com Resnais .

 Ao revelar o filme notou algo estranho , sempre que o arlequim falava Nevers aparecia um quadro de Audrey Hepburn escondido entre as serpentinas , porém Audrey não tinha participado de “ Hiroshima , Mon Amour , só podiam ser memórias trocadas , depois de um tempo ficou sabendo de um filme inconcluso , um diretor havia abandonado o projeto de fazer um documentário  e aprisionado seu quadro num fotograma queimado , ela só reapareceria quando algum  diretor sem talento,  mas tomado pela euforia dos iniciantes conseguisse errar tanto que seus defeitos virassem poesia .



Escrito por diniz gonçalves júnior às 15h28
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  Anotações 4

menina no ponto ajeita  tiara círculo com luzes precárias anuncia loja de materiais elétricos restaurante árabe promoções em letras gigantes caminho setas para centro



Escrito por diniz gonçalves júnior às 17h12
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  Publicado na Weblivros

O ar das cidades

Na poesia o excesso pode parecer prova de erudição,
demonstração de virtuosismo lingüístico, porém, em
livros aparentemente simples podemos encontrar mais
informação estética do que em calhamaços de clichês
retóricos.

A foto de Alexander Rodchenko (1891-1956)
foi uma escolha precisa para a capa do livro O ar
das cidades, de Sérgio Alcides: tons de cinza e
sombras, a respiração urbana oxida no anonimato das
ruas. O poeta apresenta diversas armadilhas para
leitores incautos, sua fala que beira a cotidiana
esconde deslocamentos de sentido, estranhamentos,
epifanias no intervalo das faltas de ar.

Nos versos de "Lembrança“ ("mergulho numa lacuna / escolho a forma
de nado / meu cardume sai comigo / vermelho / de mim /
do aquário derramado “) o poeta busca espaços
possíveis, frestas para escapar do claustro
controlado das cidades, como o personagem Houdini do
poema de Sebastião Uchoa Leite: “Sou Houdini o
mágico / mas jamais afundaria nas águas / acorrentado
numa pedra “ ( "Antipoética de Houdini").

Tentando fugir da padronização dos apartamentos, Sérgio Alcides
cria um pirata fictício em "Maquinaria“: "Levanto o
tapa-olho / para melhor espiar / os sete mares do
quarto “, e conclui no verso seguinte com as belas
imagens: “En guarde ! / Em dia de recordação / também
tem espetáculo“. Como disse Gaston Bachelard, “e o
devaneio se aprofunda de tal modo que, para o sonhador
do lar, um âmbito imemorial se abre para além da mais
antiga memória“ (em A poética do Espaço); no poema
"Oração" o poeta diz: “Minha medida não é pé-direito de
apartamento “, as dimensões se tornam alegorias
emotivas.

Em "Combustão", Sérgio Alcides sabe que
"uma cidade cercada de incêndios“ não é dos lugares
mais apetecíveis para um Orfeu, mas conclui buscando
alguma identidade: “Também agarro algum crepitar de
meu / Sob o céu amarelo / sob a lua roxa “; a lírica
quase escapa em meio à fuligem urbana.

Em um tributo a Antônia Maria, os desvios mínimos de “ Valsa de
uma cidade“ mostram a filiação à uma tradição flâneur,
observatório de amores passageiros e
vitrines. Sérgio Alcides escuta a cacofonia das
cidades “que clamam Pour Elise“ (em "Um Slide"), mesmo
que na versão pasteurizada dos caminhões de gás. Na
cidade tudo é simulação, as mesmas sombras da foto de
Rodchenko pairam como fantasmagorias à espera que um
poeta dono de seu ofício invente outras respirações,
"toda essa geometria para o nado ... “ ( em "Poema Trampolim")
e alargue o compasso de nossos horizontes.

Diniz Gonçalves Júnior é poeta.

Escrito por diniz gonçalves júnior às 14h28
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 Pequena Miss Sunshine

 

 

 

 

Estrada e Céu

 

 

 

Kombi amarela  mistura-se  com  insolação cítrica e  árida da estrada , céu aberto na amplidão dos planos gerais , como uma  nova caravana “ Rolidei “ papando a poeira das paisagens  . Bares mofados , seus lanches fartos & milk shakes de creme . Placas desbotadas como totens apagados na véspera .

 

 

Caricaturas

 

 

Perdedor vendendo sucesso com sorriso congelado , frases repetidas “ ad nauseam “ mantras vazios para um exército de iguais , sedentos de lugares –comuns . Rapaz niilista calcado em  Alan Poe mastiga sua afonia em gestos brutos .  Um velho devasso que coleciona revistas de mulheres nuas  . Intelectual caricato  ,  leitor de Proust que se recusa a aderir aos  apelos da mediocridade . Menina fora do padrão sonhando em ser Barbie por um dia .  Mãe da menina que por ser menos bizarra  acaba servindo de elo entre todos .

 

 

Irrealidade

 

 

O que parecia cenário idílico , concurso de miss em qualquer ponto afastado do mapa vira grotesco quando os mecanismos submergem e os fios que conduzem a marionete não escondem a feiúra que aparece na platéia e nas máscaras das meninas que antecipando uma falsa sensualidade acabam parecendo bonecas num museu de cera.

 

 

Observatório

 

 

O exótico mostra-nos um espelho incômodo mas curiosamente as fraquezas aparentes humanizam os personagens e os “ perdedores “ unidos ganham o jogo porque descartam qualquer pretensão de poder .

 

 

 

Nota

 

 A Caravana “Rolidei “ é uma trupe circense que aparece no filme “ Bye , Bye , Brasil”  de Cacá Diegues , a grafia errada ( deveria ser Holiday  ) mostra precariedade , porém esse essa singeleza acaba virando poesia quando os atores criam  nesse ambiente de quase nada .

 

 

 

Pequena Miss Sunshine

 

( Little Miss Sunshine ) . EUA , 2006 , cor , 101 min

 Direção : Jonathan Daytone e Valerie Faris , Elenco : Greg Kinnear , Abigail Breslin , Tony Collete , Alan Arkin , Paul Dano , Steve Carell , Cassandra Ashe .

 

 

 

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 14h24
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Na parede a sombra do sol rente à linha imaginária que traça silhuetas de velhas paisagens desbotadas como

Versos de vento que teimam em embalsamar as miragens momentâneas

 

 



Escrito por diniz gonçalves júnior às 14h12
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Escrito por diniz gonçalves júnior às 16h53
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  todo corpo é carne / todo fato é verso / toda falta é sombra /   todo ritmo é cidade / toda paisagem  é calada / toda linha é vã / todo encontro é efêmero / toda ilusão é possivel / toda alma é saudade / todo tudo é segredo / só

Escrito por diniz gonçalves júnior às 20h10
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  Anotações 2

deixe as certezas , os casacos de inverno , os  telefones embalsamados nas velhas agendas

Escrito por diniz gonçalves júnior às 03h18
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